06/11/2009

SAUDADE

Havia uma saudade doída
do tempo em que a tristeza
dormia e a alegria balançava-se
numa rede na varanda.

Havia uma saudade de cheiros
e de sabores que já não sinto
e de amores que já não pressinto.

Havia uma saudade do tempo
e do pensamento,
de coisas deixadas pelo caminho.

Havia tantas saudades
que, de algumas, já não lembro.

Havia saudade de mim
e daquilo que não entendo.

FATIMA MOTA

03/11/2009

Desejos

De amar
e ser amado
carece uma prece.

E de viver a dor
o amor enternece.

Na paixão
o sentir a ilusão
endoidece.

E num olhar
sem solidão
incerteza
desaparece.

No encontro
entr’almas
toda tristeza
fenece.

Fátima Mota

25/10/2009

APORTE

Aporte

Entre uma e outra despedida
O meu coração fala a ti
Palavras que somente quem ama compreende.

Entre uma e outra chegada
O meu coração se entrega
E parte-se antecipadamente.

Aportas em meus cais a bel prazer

Levas na bagagem a minha alegria.

FATIMA MOTA

SEM DESTINO

Sem destino



Entre o sonho
e o real
vago.

Fátima Mota

18/08/2009

Infernos astrais

Os meus frios
derretem na tua boca macia
e deságuam em tua ilha.

Os meus mornos
aquecidos nos vãos dos teus braços
encaixe perfeito
nas diagonais.


Os teus quentes
incendeiam latentes
meus infernos astrais.

*Fátima Mota*

Na rota de colisão

Bateu com o copo na mesa
Bebeu todo o líquido do pote
Berrou o seu grito de morte
Brindou a alegria e a sorte
Brincou com a própria tristeza
Brilhou no seu dia de glória
Bebeu um gole a mais
Bateu com a língua nos dentes
Brigou e saiu tão somente
Bailou na noite escura
Bateu com o carro no poste
Berrou sem ter quem lhe resposte
Beijou seu sonho diurno
Bancou o palhaço sozinho
Bramiu a palavra em desuso
Brecou aturdido no muro
Quedou com a cara na porta.


*Fátima Mota*

MÁGOA

Mágoa

Desvencilhei-me do tolo ciúme que me afligia
Descartei o medo de te perder
Transpus infinitos abismos
E controlei essa aflição insofismável.
Leve, a minh’alma habitou-se de ti
E teus desejos se acasalaram aos meus
E teus anseios escreveram nossa história.
Desertei a insegurança
E nos confins do meu ser a confiança instalou-se.
Não previa a inconseqüente ação
A traição desposou-me
E despojou-me da minha melhor parte: acreditar.
O assoalho do meu coração ainda encontra-se molhado
Não choro por me teres traído
As lágrimas são pelo deslize
De me fazeres desacreditar-te.

Fátima Mota
13/08/09


Fique por dentro........

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Clarice Lispector

Mas há a vida

Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata.

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